ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990.
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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Artigo 168 do Estatuto da Criança e do Adolescente: A Busca pela Identidade e o Reconhecimento do Vínculo Paterno

O artigo 168 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é um dispositivo de extrema importância para garantir os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, especialmente no que tange à sua identidade e ao reconhecimento de sua filiação. Este artigo estabelece um direito crucial para a construção da personalidade e para o pleno desenvolvimento do indivíduo: o direito de ser reconhecido por quem lhe deu a vida.

O Que Diz o Artigo 168?

Em essência, o artigo 168 estabelece que o reconhecimento do filho pela mãe, ao nascer, é obrigatório. Isso significa que, no momento do registro de nascimento, a mãe tem o dever de declarar a paternidade. Caso o pai não esteja presente ou se recuse a reconhecer o filho, este artigo prevê um mecanismo para que a paternidade seja declarada mesmo sem a sua concordância inicial.

Mecanismos de Proteção e Reconhecimento:

O artigo detalha como esse reconhecimento pode ocorrer e as responsabilidades envolvidas:

  • Declaração da Mãe: A mãe tem o dever de declarar a paternidade no registro de nascimento. Essa declaração é fundamental para iniciar o processo de identificação do pai.
  • Assistência do Ministério Público: Se o pai não estiver presente ou se recusar a declará-lo, a mãe pode, sempre com a assistência do Ministério Público, requerer ao juiz que seja o pai notificado para comparecer em juízo e declarar se reconhece o filho.
  • Perícia de Paternidade: Caso o pai não compareça em juízo ou, comparecendo, negue a paternidade, o juiz determinará a realização de exame de periculosidade (atualmente conhecido como exame de DNA, que é o método científico mais preciso para a determinação da paternidade).

O Que Significa na Prática?

Para a criança e o adolescente, o artigo 168 representa a garantia de:

  • Direito à Identidade: Ter seu nome registrado corretamente, com a filiação completa, é um dos pilares da identidade civil e social de qualquer pessoa.
  • Direito ao Nome: Ser identificado com o nome do pai, e consequentemente, pertencer a uma família e ter acesso aos seus sobrenomes.
  • Direito a Alimentos: Em caso de reconhecimento, o filho tem o direito de receber pensão alimentícia, fundamental para seu sustento e desenvolvimento.
  • Direito à Herança: O reconhecimento da paternidade garante ao filho o direito de herdar bens do pai, caso este venha a falecer.
  • Direito a Conhecer a Origem: A possibilidade de conhecer sua história familiar e seus laços sanguíneos contribui para a formação psíquica e emocional.
  • Direito à Verdadade Biológica: Em muitos casos, a paternidade biológica é um aspecto importante para a construção da autoestima e do sentimento de pertencimento.

A Importância do Papel do Ministério Público:

O Ministério Público atua como um guardião dos direitos das crianças e dos adolescentes. Neste contexto, sua assistência à mãe, especialmente em situações de ausência ou recusa paterna, é fundamental para assegurar que o direito ao reconhecimento seja efetivado, mesmo diante de obstáculos.

Em Resumo:

O artigo 168 do ECA é um instrumento legal poderoso que assegura o direito fundamental da criança e do adolescente de serem reconhecidos por seu pai, garantindo assim sua identidade, seus direitos civis e, consequentemente, contribuindo para seu pleno desenvolvimento e bem-estar. Ele reforça a ideia de que a paternidade não é apenas um vínculo biológico, mas um compromisso e uma responsabilidade legal e social.